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sábado, 10 de dezembro de 2011

Nota de esclarecimento: a revolução dos "ervo-afetivos"

Devo esclarecer aos meus leitores que o post "Na contramão: a revolução dos ervo-afetivos" fora escrito ainda sob o calor dos primeiros acontecimentos no campus da USP. Ao escrevê-lo eu não tinha todas as informações sobre o que realmente se passava lá. Hoje eu sei que todo o movimento não foi apenas pelo direito de fumar maconha.

Passados tantos dias, já sabemos que o movimento é extremamente político (no sentido literal da palavra), com participação de partidos e tudo mais. Também sabemos que há uma luta contra abusos por parte da reitoria e contra processos administrativos. Sendo assim, esclareço que o post está desatualizado, mas mesmo assim creio que ainda há algumas considerações que valem a pena serem ponderadas.

Mudei a minha opinião sobre a presença da polícia no campus? Não.
Mudei a minha opinião sobre a forma errada pela qual os estudantes trataram os policiais, depredaram o espaço e apedrejaram as viaturas? Não.
Mudei a minha opinião sobre a falta de argumentos dos alunos? Não.

Hoje vejo que a luta poderia até ser digna, mas os meios usados não o são. Não podemos, enquanto sociedade, tratarmos policiais como inimigos. O dia que isso se tornar comum, estaremos perdidos.

Sobretudo, está mais do que na hora de parar com essa mimação. O que vemos todo dia agora é gente que se acha no direito de quebrar as coisas quando seus anseios não são prontamente atendidos.

Postado por Roney Torres às 04:57 0 comentários Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Na contramão: A revolução dos "ervo-afetivos"


No dia 30 de março de 1968 foi realizada na Catedral da Sé, em São Paulo, uma missa em memória de Alexandre Vannucchi Leme, aluno da Universidade de São Paulo (USP), preso e morto pelos militares. Alexandre não foi o primeiro e nem o último estudante a pagar com a própria vida pelo desejo de viver num país melhor. Antes e depois desta data, estudantes foram perseguidos, torturados e mortos. Este primeiro parágrafo é apenas para deixar claro para quem está achando um absurdo o policiamento nas dependências da USP que a coisa já foi bem pior para os estudantes.


A USP está novamente no centro de discussões no país por causa do recolhimento de três estudantes do curso de Geografia apanhados portando maconha dentro do campus. A prisão dos três acabou gerando um confronto entre estudantes e policiais e a ocupação pelos alunos do prédio da administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Existe um convênio assinado entre a entidade e a PM com a anuência de todas as unidades presentes no espaço, com representação de professores, funcionários e estudantes. A decisão pelo aumento do policiamento (que já existia) nas dependências da cidade universitária foi motivada pelo assassinato de um estudante no estacionamento da Faculdade de Economia e Administração. Vale lembrar que a decisão de assinar o convênio foi aprovada por ampla maioria, recebendo apenas um voto contra. De acordo com os dados, a presença mais ostensiva da polícia reduziu em 60% o número de furtos e roubos. Este segundo parágrafo é apenas para deixar claro que o policiamento na USP é necessário e consensual, não foi uma decisão arbitrária ou imposta pelo reitor da instituição. E mais: os próprios alunos do campus (os que tem bom senso) já demonstraram através de nota pública que são a favor da presença dos policiais no Campus. Ver http://migre.me/61ESX.



Não vou entrar na discussão sobre a legalização/descriminalização da maconha. Legalizada ou não, continua sendo droga. Não acredito que melhorará a questão do tráfico e continuará não fazendo bem. Droga para mim é pauta encerrada: sou terminantemente contra. Meus motivos são bem simples: O primeiro é que eu acho que ninguém precisa delas para viver bem, assim como não precisa de cigarro e de bebida. O segundo é que eu penso que uma droga como a maconha pode não ser tão nociva e degradante como o craque, mas dificilmente se encontra por aí usuários de craque que não tenham passado pela maconha. Ela é porta de entrada para a inserção no mundo das drogas mais pesadas. A pessoa começa fumando o seu baseado, logo ele se torna insuficiente e ela vai procurar um barato mais forte. O terceiro motivo é que maconha, assim como qualquer droga, alimenta o tráfico. Não chegarei, contudo, ao ponto de ser leviano e imaturo ao ponto de, como muita gente por aí, afirmar que o grande problema da USP são as drogas. 

O meu alvo neste texto não são as drogas, elas pouco me interessam. Quer usar? Use! É direito inalienável de qualquer um fazer o que quiser da sua própria vida, inclusive acabar com ela se lhe parecer viável. Meu foco neste texto, portanto, são os estudantes. São tantas coisas a serem ditas que nem sei por onde começar mas salta aos olhos o despreparo destes "ervo-afetivos" que se dizem estudantes. Reparem o cartaz abaixo: 


O que dizer de estudantes universitários que na hora da discussão com os policiais ostentavam livros de Karl Marx, mas que mal sabem escrever a palavra "trabalhadores"? Reparem que no cartaz foi escrito "Trabaliadores", sendo depois remendado na tentativa de transformar um "i" em um "h". Acreditem, tem coisas piores que o erro ortográfico neste cartaz. Em letras garrafais está escrito: "Os policiais não são 'trabaliadores', são o braço armado dos exploradores". Falácia. Expressão inverídica. Por mais que os nossos policiais sejam truculentos, despreparados e arrogantes, são trabalhadores. E pior ainda: são trabalhadores muito mal remunerados. Tem a banda podre, desonesta, abusiva e corrupta? Certamente, assim como existem professores, advogados, médicos e pastores na mesma condição. Se estão a serviço ou não de exploradores, já é outra questão. Penso também no seguinte: colaborar com os traficantes é mais digno do que servir de braço armado para os exploradores? É o povo que coloca os exploradores lá, não os policiais. Se querem resolver o problema da exploração e da desigualdade, tem que mexer em esferas mais elevadas. Retirar os policiais do campus ou dos morros não irá diminuir em nada essa suposta exploração, só facilitará a ação da bandidagem. Se estes estudantes estão realmente preocupados com a questão social, ao invés de ficarem amotinados ou destruindo o patrimônio que é público, bancado por pessoas de bem que pagam impostos, deveriam estar nas ruas bradando contra a a exploração. 


Em letras menores, podemos ler no cartaz: "Fora PM dos morros e favelas". Ora, tem alguém mais interessado em ver morros e favelas sem policiamento do que o pessoal do tráfico? Não seria igualmente interessante para os traficantes uma USP sem policiamento? Esta reivindicação me fez pensar seriamente sobre  a serviço de quem essa galera está e, para piorar, vem a outra frase: "Pelo fim do genocídio do povo negro". Alguém poderia me explicar o que esta pérola tem a ver com o contexto? Alguém poderia explicar para esses universitários que "genocídio" não se adequa à questão do negro no Brasil? A palavra  genocídio é utilizada quando uma etnia tenta exterminar a outra. Estamos falando de morte. Nunca houve no Brasil um projeto de brancos para exterminar os negros, mas para escravizá-los. Escravização, exploração e genocídio são coisas bastante diferentes. Qualquer historiador ou antropólogo mediano deveria saber disso.  


O cartaz, caros amigos, é extremamente elucidativo: Demonstra que se trata de um pessoal que não tem um projeto, não sabem o que defendem e que o que querem mesmo é fazer baderna. Nada mais que isso. Uma prova disso é a queima da bandeira da nação, uma ação sem a menor necessidade, significado ou importância.



Carro da polícia depredado: Quem vai pagar o conserto?


Encafuados dentro do prédio da FFLCH, eles reivindicaram: 

“Seguiremos ocupados até que o convênio (USP-PM) seja revogado pela reitoria, proibindo a entrada da PM no campus e em qualquer circunstância, bem como a garantia de autonomia nos espaços estudantis, como o Núcleo de Consciência Negra, Moradia Retomada, Canil da ECA, entre outros. Continuaremos aqui até que se retirem todos os processos criminais e administrativos contra os estudantes, professores e funcionários”

Falando sinceramente? Eu ri. Eu ri muito. É tão trágico que chega a ser cômico. O que vemos aqui é uma dúzia de vagabundos se achando no direito de decidir por uma comunidade de 80.000 pessoas. Sim, são vagabundos! Se não fossem estariam estudando ou trabalhando. Interromper um cronograma de aulas por causa de maconha? Façam-me o favor de me poupar. Sou a favor de mobilizações, passeatas ou greves, desde que tenham um programa substancial e reivindicações plausíveis. Esses "ervo-afetivos" não sabem nem pelo que lutam. Protestam contra tudo e não protestam contra nada. Pior que isso: excedem os limites do bom senso. Quem deu a eles o direito legal de optarem e decidirem pela falta de segurança? Querem fumar sua maconha? Vão fumar em casa! Universidade é lugar de estudar, coisa que pelo visto não andam fazendo muito. Pior ainda: Se acham no direito de exigir que TODOS os processos criminais e administrativos sejam retirados! Duvido que eles conheçam todos os processos de uma universidade do porte da USP. Quer dizer, o cara está sendo processado por desvio de verba pública, mas deve ser anistiado. Um professor está sendo processado por atitudes antiéticas, mas deve ser perdoado. Um aluno está sendo  processado por plágio, depredação do patrimônio ou agressão, mas deve ser esquecido. Em outras palavras: estão praticamente defendendo a anarquia dentro do campus da universidade mais prestigiada do Brasil. O que pensar de estudantes da área de humanas (o que é pior) que defendem a falta de segurança e a falta de justiça? O que pensar de estudantes tão na contramão do bom senso?


Me entristece ver no que os estudantes se tornaram. Tenho saudades do tempo em que os universitários sabiam ler, escrever, e tinham consciência política e social. Os estudantes, que outrora posicionaram-se contra o Estado Novo ditatorial de Vargas, contra o período de ditadura militar, pelo impeachment de Collor, hoje lutam pelo direito de fumar baseado. É doloroso pensar nos feitos tão importantes que os estudantes já fizeram na história deste país no sentido de oferecer resistência contra a corrupção, contra a supressão da liberdade de expressão, contra o mandonismo e o abuso de poder e ver que hoje mal conseguem se organizar, criar um bom programa e fazer o que Olga Benário se orgulhava de ter feito: Lutar pelo bom, pelo justo e pelo melhor deste mundo. Ao invés de preocupação com coisas importantes da coletividade, gritam, esbravejam e apedrejam por interesses próprios e/ou sem sentido ou relevância. 


Para finalizar, proponho uma análise de imagens. Observem: 





A primeira é uma imagem é de estudantes protestando contra a censura no período da ditadura militar, a segunda mostra estudantes exigindo que o corrupto Fernando Collor de Melo deixasse a Presidência da República. 


Agora observe as duas imagens de estudantes "ervo-afetivos" na USP:





Sabe o que as diferencia? Vergonha na cara. A primeira imagem expressa estudantes conscientes da importância da sua atuação dentro da sociedade, orgulhosos de estarem ali naquele momento fazendo aquilo que consideravam o correto e contribuindo para a história da nação, mesmo que isso lhes custe a vida. É gente que não tem medo de morrer pelo que acredita. Os personagens das imagens posteriores, que a gente não sabe se são de estudantes, terroristas ou bandidos, tem a intenção de se esconder por medo ou por vergonha. Já dizia o ditado popular que uma imagem vale mais do que mil palavras, não é?

No fim das contas, o que eu acho de toda essa história é que gente que tem sonhos, princípios e ideais mas tem medo de mostrar a cara, simplesmente não merece a minha confiança e nem o meu respeito. 
Postado por Roney Torres às 22:00 7 comentários Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Inimigo íntimo



A indústria cinematográfica, muito mais do que a teatral ou a televisiva, é a que mais brinca com a nossa imaginação. Através de efeitos especiais são criados monstros, sereias, deuses, vampiros, alienígenas e toda a sorte de seres extraordinários cuja criação seria onerosa demais para a televisão e para o teatro. No fim da semana passada eu revi o clássico Armageddon em casa e no cinema assisti dois filmes que me chamaram muito a atenção: "Planeta dos macacos - A origem" e "Cowboys e aliens".

Armageddon conta a história da luta para impedir que um asteroide do tamanho do estado americano do Texas colidisse com a Terra e extinguisse toda forma de vida aqui existente. Planeta dos macacos conta a história de um macaco chamado César que é exposto à ação de um vírus que aumenta o Q.I., a capacidade cognitiva e memória dos símios. O macaco aprende até a falar e lidera um movimento contra os testes com animais e contra a seu encarceramento. Ele e seus companheiros invadem circos e zoológicos libertando os de sua espécie e deixando as ruas da cidade lotadas de macacos fora de controle. Os seres humanos então se unem para combater a multidão de primatas que aterroriza a cidade. Cowboys e Aliens é mais um desses filmes em que a humanidade tem que lutar e salvar o planeta da  invasão de seres extraterrestres. Apesar de representar o mesmo enredo de sempre (Humanos X ET's), a nova produção hollywoodiana foge aos clichês tornando-o bem interessante. Ambientado no ano de 1873, os humanos não tem à sua disposição todo o arsenal moderno para lutar contra os invasores. O que nós vemos em Cowboys e aliens é uma luta desigual de alienígenas bem armados contra humanos armados com pistolas ultrapassadas, arcos e flechas. Tudo bem diferente de produções como Independence Day ou Guerra dos mundos.


Os três filmes não tem absolutamente nada em comum. Este texto, que achei por bem chamar de Inimigo íntimo,  saiu de um estalo, de um pensamento que, do nada, veio à minha mente. Ao sair da sala de cinema após assistir o último filme eu pensei comigo mesmo: "Nesta semana a humanidade teve que vencer três inimigos." 

Foi a partir deste pensamento solto, tão destituído de um propósito real que comecei a pensar nos inimigos que o cinema arrumou para a humanidade. Lutamos contra os dinossauros e múmias vindos de um passado muito distante, lutamos contra androides vindos de um suposto futuro próximo, lutamos contra a natureza criadora de tornados e vulcões enfurecidos, e principalmente contra alienígenas, zumbis, vampiros e lobisomens.


Pensando em tantos inimigos, vejo que a sétima arte tenta nos afastar dos nossos verdadeiros inimigos. Talvez seja por um mecanismo de fuga ou apenas por não querer mais reproduzir uma realidade que nos é tão dolorida. O nosso maior inimigo não vem do espaço, não vem do passado, não é um ser mitológico e muito menos é uma máquina ou um fenômeno da natureza. O nosso inimigo mora bem mais próximo e é bem mais íntimo. O maior inimigo da humanidade, é o próprio homem. A humanidade luta contra a humanidade. O homem é o único animal que não tem predador natural dentro da cadeia alimentar, mas já estamos dando um jeito nisso.

Em tempos imemoriais, lá na antiga Grécia, a inscrição na porta do Oráculo de Delfos já aconselhava: "Conhece-te a ti mesmo". A frase, além de inspirar o modo de viver do grande filósofo Sócrates, vem também inspirando muita gente. Temos procurado nos conhecer e temos também buscado conhecer o mundo que nos cerca. O conhecimento tem nos aberto muitas portas, mas ao mesmo tempo parece que tem nos tapado os olhos para muita coisa importante. É como um brilho muito forte que nos deixa cegos. Conhecemos os mínimos detalhes do funcionamento de um átomo, as formas de procriação dos moluscos, as taxas de calorias dos alimentos, fazemos bebês em laboratórios, e já somos até capazes de dizer se o universo está se expandindo ou se retraindo e em qual velocidade acontece. Mesmo assim, com tanto conhecimento e recursos ao nosso alcance, ainda fazemos besteiras. Entre todas as besteiras da humanidade, as maiores são acreditar que podemos nos dar bem às custas do outro e crer que o sofrimento do outro é um problema apenas dele. Damos um tiro no próprio pé ao achar que dá para viver sem nos interessarmos pelo outro ou pela posteridade. TODAS as ações da humanidade serão refletidas no nosso outro contemporâneo ou no outro de amanhã (que poderá ser nosso filho ou neto). Chama-se Lei da Semeadura: colher o que se plantou. Por ignorar essa lei tão implacável é que nos matamos aos poucos sem perceber. É óbvio que ao falar em morte, não estou falando de morte física. Ainda (ainda!) não chegamos ao cúmulo de nos digladiarmos numa terceira grande guerra. A nossa morte, portanto, é moral. Estamos em crise moral.


Começamos a nos matar quando permitimos uma proliferação insensata de juízos de valor equivocados e quando permitimos uma inversão dos valores, sobretudo quando o TER passa a ser mais valorizado que o SER. A inversão de valores está aí na nossa cara a todo o momento. Ocorre, por exemplo, quando um jogador, que não faz absolutamente nada de significante para a humanidade, recebe um salário um milionário, enquanto professores, enfermeiros e médicos, pessoas de quem a humanidade realmente depende, recebem salários ínfimos. Ocorre quando são disponibilizados milhões de reais para a construção de estádios de futebol, enquanto as escolas e hospitais caem aos pedaços e falta dinheiro para fomentar a pesquisa científica, que poderia trazer tão grandes progressos para a sociedade. Assistiremos jogos de futebol em estádios novinhos, com uma infraestrutura impecável, e após isso voltaremos para casa ignorantes, doentes e atrasados. Ocorre também quando a opinião pública, que sempre aceitou que a 'cantora' Gretchen ganhasse o seu pão de cada dia usando a bunda, resolve fazer chacota pelo fato dela estar trabalhando nos EUA como garçonete. Talvez este seja o emprego mais honesto de sua vida. É mais bonito para uma senhora, mãe de três filhos, ganhar a vida fazendo filme pornô do que servindo mesas?

Assassinar os bons valores é colocar veneno na bebida da posteridade. A construção do futuro começa sempre no presente e deve contar com a ajuda do passado. Muita coisa tem ficado para trás. O padre Fábio de Melo, em minha opinião uma das grandes mentes pensantes deste país, falou recentemente algo brilhante: "Precisamos de alguém que nos ensine o antigamente". Precisamos voltar e recuperar o que nos foi roubado de nós mesmos no decorrer da caminhada. Tanta modernidade de nada nos serve se não tivermos bases sólidas para sustentá-la. Ouvimos o tempo todo por aí que o progresso nos trouxe civilização. Será? Será que com toda esta tecnologia somos mais civilizados do que as tribos indígenas que produzem apenas o suficiente para o seu sustento e que dividem de forma igualitária essa produção sem permitir diferenciações?


Fazemo-nos seres vis (piores que os vampiros) quando queremos tudo, ao negar ou permitir que neguem a tantos homens e mulheres o direito à vida, à educação de qualidade ou à saúde. Nos colocamos na posição de inimigos de nós mesmos quando permitimos correntes opressoras, quando somos condizentes com tantas formas de maldade e preconceitos e sobretudo quando nos calamos, permitindo que a corrupção, o desrespeito e a desigualdade se proliferem. Somos inimigos de nós mesmos quando fechamos olhos, ouvidos e a boca em relação ao sofrimento alheio. Somos nossos inimigos quando permitimos nos acovardar diante da vida ou quando tememos ousar. Concorremos contra nós mesmos quando escondemos nossos candeeiros embaixo das nossas camas, impedindo que a nossa luz se irradie e ilumine toda a humanidade neste grande quarto chamado Terra, quando deixamos de comer o peixe por medo de engasgar com as espinhas, como diria Gondim, e também quando sucumbimos ao pensamento de que o pouco não vale nada. Precisamos pensar como Joe Henderson e perceber que o desafio não é fazer coisas extraordinariamente fantásticas, é fazer as coisas que qualquer um pode fazer, mas que jamais o fará por comodismo, preguiça, maldade ou seja lá pelo que for. Quase nunca lutamos e quando resolvemos lutar escolhemos alvos errados. Infelizmente os alvos escolhidos são nossos monstros internos, frequentemente identificados no outro.

Precisamos nos aliar. Precisamos (juntos) recuperar os valores que perderam-se em nossa trajetória. Não podemos perder de vista a luta pelo que é justo e pelo que é honrado. Não podemos perder o respeito, o amor e o senso de justiça em relação ao próximo. Sobretudo, precisamos cuidar melhor do palco e do futuro. O palco é o planeta, a natureza; O futuro são as crianças. É nelas que está a salvação ou ruína desta espécie chamada de Humana.


Postado por Roney Torres às 14:50 8 comentários Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook
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Baiano. Professor. Capricorniano. 34 anos. Dependente de música, livros e internet. Apaixonado por gente inteligente.
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